O marketing digital não se resume a postagens nas redes sociais. Instagram, LinkedIn, TikTok e outras plataformas têm papel importante na construção de marca e no relacionamento com o público, mas existe uma parte da jornada que ocorre em outro lugar: no Google, quando a pessoa abre o buscador para pesquisar uma dúvida, comparar soluções ou encontrar uma empresa.
Para se ter uma ideia, em 2024, o Google teve aproximadamente 13,7 bilhões de pesquisas por dia. Cada uma dessas buscas representa algum tipo de intenção do usuário como aprender, decidir, comprar, contratar, resolver um problema ou validar uma marca.
Neste conteúdo, você vai entender por que uma estratégia de marketing digital precisa ir além das redes sociais, qual é o papel do Google quando o cliente já está procurando uma solução e por que o site deve ser tratado como um ativo de marketing, não como um simples cartão de visita ou uma página institucional estática.
5 trilhões de buscas em 2024: o Google nunca foi tão usado quanto agora
Em março de 2025, durante o evento Think With Google em São Paulo, a gigante da tecnologia informou que processou mais de 5 trilhões de buscas em 2024. Foi a primeira vez em quase uma década que a empresa divulgou oficialmente seu volume anual de pesquisas.
Na prática, esse número equivale a aproximadamente 13,7 bilhões de buscas por dia ou 158,5 mil pesquisas por segundo. Essas equivalências são cálculos derivados do volume anual divulgado pelo Google, mas ajudam a dimensionar o tamanho do comportamento de busca: a todo momento, milhões de pessoas estão procurando respostas, marcas, produtos, serviços e soluções.
O dado fica ainda mais relevante quando comparado ao último volume oficial conhecido. Em 2016, o Google havia informado 2 trilhões de buscas por ano. Ou seja, em 9 anos, o volume mais que dobrou, mesmo com o crescimento das redes sociais, marketplaces, aplicativos e ferramentas de IA como o ChatGPT.

Enquanto muitas equipes concentram atenção em alcance, curtidas e engajamento nas redes sociais, bilhões de buscas acontecem todos os dias em um ambiente onde o usuário já demonstrou intenção.
O que isso tem a ver com a sua marca?
Isso tem relação direta com a forma como sua marca é encontrada. Quando as pessoas têm uma dúvida ou necessidade, elas primeiro costumam pesquisar em mecanismos de busca como o Google, e mais recentemente também nas IA generativas.
Nestes buscadores, o usuário digita uma pergunta, busca resolver um problema, encontrar um produto ou um serviço, com a intenção de encontrar a resposta imediatamente. Quem pesquisa “como melhorar o tráfego orgânico”, “agência de SEO para empresas” ou “quanto custa criar um site profissional” já demonstrou uma intenção mais clara do que alguém que apenas encontrou um conteúdo no feed do Instagram.
Nas redes sociais, o usuário geralmente está rolando o feed despretensiosamente, acompanhando pessoas, descobrindo assuntos, sem uma intenção específica naquele momento. Ele pode se interessar por uma publicação, salvar um post ou lembrar da marca depois, porém nem sempre está pronto para pesquisar, comparar ou comprar.
Isso não torna um canal melhor do que o outro porque cumprem funções diferentes na jornada. As mídias sociais ajudam na presença, relacionamento e lembrança. Já os buscadores e mecanismos de resposta de inteligência artificial entram quando o usuário transforma uma curiosidade, dor ou necessidade em pesquisa.
Para a marca, estar bem-posicionada nesse momento significa aparecer quando o público já está procurando algo que ela pode resolver. O que reforça a ideia de que SEO não funcionam como estratégia separada: uma boa presença orgânica ajuda a marca a ser encontrada tanto no Google quanto em respostas geradas por IA.
Redes sociais fazem parte do marketing, mas não são o marketing todo
As redes sociais, para muitas empresas, são uma vitrine ativa, principalmente quando há consistência, linguagem adequada e uma comunidade minimamente engajada. Ou seja, é um canal que tem mesmo um papel importante na estratégia de marketing por:
- Ajudar a construir marca
- Manter relacionamento
- Ampliar alcance
- Criar pontos de contato frequentes com o público
Mas, o problema começa quando marketing digital vira sinônimo de gestão de Instagram ou LinkedIn. Lembre-se: nem todo consumidor está no mesmo momento da jornada. Nas redes sociais, a marca costuma disputar atenção em um ambiente de navegação rápida, muitas vezes no topo do funil, quando o usuário ainda está descobrindo temas, marcas ou necessidades.
Já o Google e o site entram em outro ponto da jornada. Quando alguém pesquisa uma dúvida, comparação, solução ou fornecedor, é porque existe uma intenção bem clara. Então ocorrem buscas de meio e fundo de funil, como “melhor agência de SEO para empresas”, “como aumentar tráfego orgânico” ou “empresa para criação de site profissional”. Dessa forma, se a marca não aparece nesse momento, existe um grande furo na estratégia.
Por isso, não se trata de escolher entre redes sociais e Google. Até porque ambos podem se complementar muito bem, desde que a empresa entenda a função de cada um. As redes sociais ajudam a manter presença, relacionamento e lembrança de marca. Já a busca orgânica e o site entram em um momento muito específico: quando a pessoa tem uma dúvida, uma necessidade ou uma decisão para tomar e faz o que já virou hábito no comportamento digital: pesquisa primeiro no Google.
Esse costume torna o site um ativo importante dentro da estratégia. Se o público pesquisa para entender problemas, comparar soluções, encontrar fornecedores ou validar uma empresa, estar bem posicionado no Google aumenta a chance de a marca aparecer justamente quando existe intenção clara. É nesse ponto que a presença orgânica pode transformar uma busca em visita, uma visita em confiança e, com a estrutura certa, confiança em conversão.
O site como ponto de conversão
O site é um ponto de conversão indispensável porque é onde a intenção de busca do usuário no Google pode se tornar, de fato, uma ação. Para isso, o caminho é simples:
- A pessoa pesquisa no buscador
- Encontra ou não a sua empresa
- Entra ou não no site
- Converte ou abandona
Cada etapa depende da anterior.
Se o site é lento, confuso, mal estruturado do ponto de vista de SEO ou simplesmente não responde às dúvidas do usuário, no Google, ele perde força. Isto é: a marca pode até aparecer em algumas buscas, mas desperdiça oportunidades importantes quando a página não carrega bem, não explica a solução com clareza ou não orienta o próximo passo.
Inclusive, esse é um ponto que muitas equipes deixam em segundo plano. Enquanto o Instagram tem calendário editorial, briefing, revisão e acompanhamento, o site da marca, que deveria funcionar como ativo de captação, fica desatualizado, sem conteúdo estratégico e sem otimização para mecanismos de busca.
Porém, o site deveria ser tratado como parte fundamental da estratégia de marketing digital, já que é nele que a marca:
- É a ‘sede digital’ da marca
- Organiza sua autoridade
- Responde perguntas importantes
- Apresenta soluções
- Recebe tráfego orgânico
- Cria caminhos para contato, orçamento, reunião ou compra
Ou seja, é um ativo da empresa que precisa ser bem cuidado, caso contrário, ela pode até ter presença nas redes, mas perde espaço justamente quando o cliente está procurando uma resposta ou solução.

O que acontece quando a empresa não aparece no Google?
Quando uma empresa não aparece no Google, o clique vai para outra marca. Isso porque, se um potencial cliente pesquisa um produto, serviço ou solução que você oferece e encontra apenas concorrentes, são eles que recebem a visita, explicam o problema, apresentam critérios de decisão e entram no conjunto de opções consideradas.
É para evitar essa ausência que existe o SEO (sigla de Search Engine Optimization ou otimização para os mecanismos de busca, em português). Ou seja, é o conjunto de técnicas para fazer um site aparecer melhor nos resultados orgânicos do Google. Logo, sem depender de anúncio pago para cada clique. O que envolve:
- Produção de conteúdo otimizado
- Melhoria da estrutura do site
- Otimizações técnicas
- Linkagem interna
- Autoridade
- Análise da intenção de busca
Além disso, a posição ocupada nos resultados também importa, mas precisa ser levada em consideração dentro do cenário atual da SERP.
Um estudo da Backlinko, baseado na análise de cerca de 4 milhões de resultados do Google, indica que o primeiro resultado orgânico recebe, em média, 27,6% dos cliques. Esse dado mostra o peso de estar bem posicionado, porém não significa que a primeira posição do Google Search apareça sempre no topo do buscador (como era antigamente). Em muitas buscas, ele pode vir depois de:
- Anúncios
- Respostas de IA
- Mapas
- Snippets
- Outros recursos do Google
Para a empresa, isso significa que não aparecer ou aparecer muito longe das primeiras posições orgânicas, tem custo. É tráfego que poderia chegar ao site sem mídia paga, mas que exige investimento em SEO e conteúdo para ser conquistado.
Mesmo com a SERP mais complexa, a lógica continua válida: se a marca não aparece quando o cliente pesquisa, a demanda já existente passa por outros sites antes de considerar a sua empresa.
Como equilibrar a presença em redes sociais e no Google?
Para equilibrar as estratégias de redes sociais e SEO, o primeiro passo é entender que os 2 canais cumprem funções diferentes:
- Redes sociais: ajudam a ampliar alcance, manter relacionamento, reforçar presença de marca e criar pontos de contato frequentes com o público.
- Google: as pessoas têm um comportamento mais ativo, já que estão pesquisando uma dúvida, comparando opções ou procurando uma solução.
Por isso, em uma estratégia de marketing digital não se deve escolher um canal e abandonar o outro. O ideal é construir presença nas redes sociais sem deixar o site parado. Quando alguém vê sua marca no Instagram ou no LinkedIn e depois pesquisa no Google para saber mais, o site precisa aparecer, explicar bem o que a empresa faz e oferecer caminhos claros para o próximo passo.
Como a presença fora do site influencia na autoridade da marca?
Menções em outros canais, citações externas, conteúdos publicados em fontes confiáveis e uma comunicação consistente ajudam na construção semântica da marca, ou seja, na associação entre a empresa, seus temas, seus serviços e seu campo de atuação.
Esse ponto ganha ainda mais peso com as respostas geradas por IA, já que esses sistemas dependem de sinais disponíveis na web para entender quais marcas são relevantes para determinados assuntos. Vale lembrar que mecanismos como Gemini, ChatGPT e Perplexity usam informações disponíveis no buscador para formular respostas e citar fontes.
Um estudo da xFunnel, com 40 mil respostas de IA e 250 mil links externos únicos, identificou que fatores como autoridade do domínio, presença em fontes confiáveis e estágio do funil influenciam quais páginas aparecem nas respostas. Ou seja, fortalecer a presença orgânica no Google e em outros pontos da web também aumenta as chances de a marca ser compreendida e mencionada por mecanismos de IA.
Portanto, o site não deve ser tratado como um cartão de visitas digital estático, já que é um ativo de marketing, capaz de atrair tráfego orgânico, sustentar autoridade de marca e apoiar a geração de demanda ao longo do tempo.
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